terça-feira, 22 de novembro de 2011

O COMEÇO...

Na infância, existem aqueles encontros que, apesar de extremamente interessantes aos olhos dos nossos pais, a nós já sabiam a aborrecidos. Falo do colega da mãe, que encontrado na rua logo começa por comentar o desenvolvimento daquela criança e que  como todos já sabemos, mas parece que nunca nos cansamos de repetir, que o tempo passa e ninguém dá por ele. As conversas do costume, que enchem os nossos de orgulho, expondo as nossas habilidades e gracinhas. Quando esses colegas se dignam a disfarçar algum interesse por aquelas criaturinhas, surgem as típicas perguntas. Fatalmente, quanto mais novos mais certezas temos do nosso futuro e até os adultos já querem fazer um juízo de valor sobre as nossas aspirações futuras e, quando algum pequeno responde que quer ser bombeiro, polícia ou futebolista, todos sorriem com condescendência. Coitadinhos, não sabem o que dizem... Na realidade nunca cheguei a perceber se a minha resposta estava de acordo com as expectativas. E digo resposta pois era só uma "Quero ser professora como o pai e professora como a mãe!" Sempre sem hesitar e como se fosse a coisa mais natural do mundo. E até poderia ser pois o pai era professor de Educação Física, mas a mãe lidava com crianças muito deficientes. Numa época em que se começava a falar de inclusão, mas que a criança diferente era isso mesmo. Diferente.
Ultrapassam-se os medos e perseguem-se os sonhos... e assim, cá estou eu, na busca de um sonho de menina.

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